Formação e vínculo interferem na avaliação da atenção primária à saúde de crianças/adolescentes com HIV?

Cristiane Cardoso de Paula e Stela Maris de Mello Padoin, Enfermeiras, Membros do Grupo de Pesquisa Cuidado à Saúde das Pessoas, Famílias e Sociedade (GP-PEFAS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

A presença e extensão da coordenação da atenção à saúde das crianças e dos adolescentes vivendo com HIV pode indicar o quanto estão sendo satisfeitas as necessidades de saúde desses usuários. Essa coordenação deve ser desenvolvida por meio da responsabilidade compartilhada entre os profissionais de diferentes tipos de serviços. Para que as ações sejam resolutivas, recomenda-se que os serviços especializados atuem conjuntamente com os de atenção primária à saúde (APS). Esses são elementos abordados no artigo “Avaliação da coordenação do cuidado: crianças e adolescentes com condição crônica de infecção pelo HIV” publicado no periódico Ciência, Cuidado e Saúde (vol. 19), que teve como objetivo avaliar se o perfil profissional e o tipo de serviço interferem no escore da coordenação da APS no Sul do Brasil.

Para atingir o objetivo proposto, foi desenvolvido um estudo transversal, com coleta de dados em 25 municípios do Rio Grande do Sul, com 527 profissionais que responderam o instrumento de Avaliação da Atenção Primária (PCATool-Brasil), versão profissionais (HAUSER et al., 2013). Os resultados apontaram que a coordenação foi avaliada de maneira satisfatória, uma vez que apresentou alto escore, tanto para o componente Integração de Cuidados (6,96), quanto para o componente Sistemas de Informações (8,22). As variáveis associadas ao alto escore foram: formação (p = 0,001), cargo no serviço (p = 0,003) e vínculo com o serviço (p = 0,018). A unidade básica de saúde foi associada ao recebimento de informações do serviço especializado no retorno (p = 0,049).

No Brasil, a atenção à saúde dessa população ocorre, predominantemente, nos serviços especializados. Essa escolha se dá pela facilidade de acesso a este tipo de serviço e pelo sistema ineficiente de transferência dos usuários entre pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS) (MAGNABOSCO et al., 2018).  O atributo coordenação pressupõe a integração entre os serviços que se concretiza pela continuidade da atenção pelo mesmo profissional. Seus componentes são: Integração de Cuidados, que visa garantir a identificação das necessidades da população e serviços a serem ofertados; e Sistemas de Informações, que requer vínculos entre os serviços e linhas de comunicação, proporcionando a transferência rápida e precisa de informações entre os pontos da RAS (STARFIELD, 2002). Por meio de seus componentes, esse atributo propõe à APS um papel estratégico para o fortalecimento do sistema de saúde.

Por fim, cabe reforçar que a integração entre os serviços pode assegurar melhores indicadores sociais e de saúde quando se tem menor rotatividade de profissionais e esse não possuir um cargo e/ou acúmulo de função no serviço. O que vai qualificar a transferência rápida e precisa de informações entre os pontos da RAS.

Referências

HAUSER L., et al. Tradução, adaptação, validade e medidas de fidedignidade do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde (PCATool) no Brasil: versão profissionais de saúde. Revista Brasileira De Medicina De Família E Comunidade [online]. 2013, vol. 8, no. 29, pp. 244-255. ISSN: 1809-5909 [viewed 24 August 2020]. DOI: 10.5712/rbmfc8(29)821. Available from: https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/821

MAGNABOSCO, G.T., et al. HIV/AIDS care: analysis of actions and health services integration. Esc. Anna Nery [online]. 2018, vol. 22, no. 4, e20180015. ISSN: 2177-9465 [viewed 24 August 2020]. DOI: 10.1590/2177-9465-ean-2018-0015. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-81452018000400203&lng=pt&nrm=iso

STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO; Ministério da Saúde, 2002. [viewed 24 August 2020]. Available from: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/0253.pdf

Para ler o artigo, acesse

PAULA, C. C., et al. Avaliação da coordenação do cuidado: crianças e adolescentes com condição crônica de infecção pelo HIV. Ciência, Cuidado e Saúde [online]. 2020, vol. 19. e-ISSN: 1984-7513 [viewed 24 August 2020]. DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v19i0.50371. Available from: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/50371

Links externos

Revista Ciência, Cuidado e Saúde: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude

Facebook da Revista Ciência, Cuidado e Saúde: https://pt-br.facebook.com/cienciacuidadoesaude

www.ufsm.br/gppefas

https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MTI3NQ

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PAULA, C. C. and PADOIN, S. M. M. Formação e vínculo interferem na avaliação da atenção primária à saúde de crianças/adolescentes com HIV? [online]. BlogRev@Enf, 2020 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2020/09/18/formacao-e-vinculo-interferem-na-avaliacao-da-atencao-primaria-a-saude-de-criancas-adolescentes-com-hiv/

 

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