Acompanhamento da Síndrome pós-COVID-19

Maria Aparecida Salci, Professora, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, PR, Brasil.

Lígia Carreira, Professora, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá, Paraná, Brasil.

Luiz Augusto Facchini, Professor, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil.

A pandemia da Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) instigou pesquisadores de diversos países a unirem esforços na produção de conhecimentos para o enfrentamento da doença. No intuito de colaborar com a ciência, o Grupo de Estudo e Pesquisa em Condições Crônicas da Universidade Estadual de Maringá atendeu a Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit N. 07/2020 – Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias. Em parceria com a Duke University e a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, propôs o projeto de pesquisa “Acompanhamento longitudinal de adultos e idosos que receberam alta da internação hospitalar por COVID-19” com a composição da COORTE COVID-19 PARANÁ/UEM, que foi contemplado com recursos financeiros para investigar o comportamento da doença ao longo do tempo e seus desafios ao sistema de saúde, principalmente, relacionados ao período pós-COVID-19.

Apesar da COVID-19 ser uma doença de etiologia viral, caracterizada como aguda e transmissível, é impreterível o acompanhamento das pessoas que tiveram a doença para compreender como a doença se comportará a longo prazo (MAXI AUGUSTIN et al., 2021; WHO, 2021). Após a fase aguda, a presença de sintomas persistentes recebe a denominação de COVID longa ou Síndrome pós-COVID-19 (MAXI AUGUSTIN et al., 2021; SALCI; FACCHINI, 2021; WHO, 2021).

Este resultado está descrito no editorial “Evidências no acompanhamento da síndrome pós-COVID-19: mais um desafiador compromisso da ciência”, publicado no periódico Ciência, Cuidado e Saúde (vol. 20), que traz evidências dos primeiros 546 integrantes da COORTE COVID-19 PARANÁ/UEM (2021), que acompanha pessoas adultas e idosas após a fase aguda da doença no estado do Paraná indicam a relevância do tema para os futuros estudos. Dentre os sinais e sintomas que persistiram por no mínimo 12 meses em adultos e idosos, independentemente de sua gravidade, os mais prevalentes foram perda da memória (29%), cansaço/fadiga (27%), falta de ar (19%), ansiedade (17%), depressão (15%), queda de cabelo (14%), alteração na visão (13%), formigamento ou dormência em alguma parte do corpo (12%), alteração no apetite (9%) e cefaléia (8%). A gravidade dos sintomas persistentes foi mais acentuada em membros da coorte com formas moderada e grave na fase aguda, em comparação aos casos leves (COORTE COVID-19 PARANÁ/UEM, 2021).

Imagem: studiogstock.

Entre membros da coorte com a forma mais grave da doença, que receberam tratamento em Unidade de Terapia Intensiva, a persistência por no mínimo 12 meses de falta de ar e cansaço/fadiga foi referida, respectivamente, por 33% e 40%, dos adultos e 15% e 26%, dos idosos. As prevalências mais elevadas em adultos do que em idosos, podem indicar viés de sobrevivência de idosos mais saudáveis (COORTE COVID-19 PARANÁ/UEM, 2021).

Diante desse contexto complexo e das evidências científicas disponíveis, amplia-se o desafio da ciência em acompanhar pessoas que tiveram COVID-19, a fim de identificar a duração e a gravidade dos sintomas e orientar as ações sobre a temática, seja na organização dos serviços da rede de atenção à saúde e na implementação de políticas públicas exequíveis na prestação de cuidado e de reabilitação ao longo do tempo (COORTE COVID-19 PARANÁ/UEM, 2021; MAXI AUGUSTIN et al., 2021; SALCI; FACCHINI, 2021; WHO, 2021).

Referências

COORTE COVID-19 Paraná/UEM. Apresentação Coorte COVID-19 Paraná/UEM. Universidade Estadual de Maringá (UEM), 2020. Available from: https://sites.google.com/uem.br/coortecovid19pr/

MAXI AUGUSTIN, M. D., et al. Post-COVID syndrome in non-hospitalised patients with COVID-19: a longitudinal prospective cohort study. Lancet. [online], 2021, vol. 6, 100122.  ISSN: 2666-7762 [viewed 8 November 2021]. https://doi.org/10.1016/j.lanepe.2021.100122. Available from: https://www.thelancet.com/journals/lanepe/article/PIIS2666-7762(21)00099-5/fulltext#articleInformation

SALCI, M. A., and FACCHINI, L. A. Os desafios da síndrome pós-COVID-19 para a ciência. Saúde Coletiva (Barueri). [online], 2021, vol. 11, no. 65, pp. 5844-5845. ISSN: 1806-3365 [viewed 8 November 2021]. Available from: http://revistas.mpmcomunicacao.com.br/index.php/saudecoletiva/article/view/1572

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Expanding our understanding of post COVID-19 condition. Genebra: WHO, 2021. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/9789240025035

Links externos

Revista Ciência, Cuidado e Saúde: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude

Facebook da Revista Ciência, Cuidado e Saúde: https://pt-br.facebook.com/cienciacuidadoesaude/

Para ler o artigo, acesse

SALCI, M. A.; CARREIRA, L., and FACCHINI, L. A. Evidências no acompanhamento da síndrome pós-COVID-19: mais um desafiador compromisso da ciência. Cienc Cuid Saude. [online], 2021, vol. 20, e61433. e-ISSN: 1984-7513.  [viewed 8 November 2021]. https://doi.org/10.4025/ccs.v20i0.61433. Available from: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/61433

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SALCI, M.A.M CARREIRA, L. and FACCHINI, L.A. Acompanhamento da Síndrome pós-COVID-19 [online]. BlogRev@Enf, 2021 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2021/12/03/acompanhamento-da-sindrome-pos-covid-19/

 

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