Distúrbio psíquico menor em enfermeiros intensivistas: quais os principais fatores associados?

Carlito Lopes Nascimento Sobrinho, Docente, Médico, Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA, Brasil. E-mail: mon.ica@terra.com.br

Deise dos Santos Silva Nascimento, Enfermeira, Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA, Brasil. E-mail: deiseflits@hotmail.com

O artigo “Prevalência de distúrbio psíquico menor e fatores associados em enfermeiros intensivistas”, publicado na Revista Baiana de Enfermagem (v. 33), apontou que enfermeiros que atuavam em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) apresentaram prevalência de 24,6% de Distúrbios Psíquicos Menores (DPM), expressão criada para designar sintomas como: insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento e dificuldade de concentração.O estudo, que contou com o apoio da equipe de pesquisadores da Sala de Situação e Análise Epidemiológica e Estatística, integra o projeto “Saúde Mental de Trabalhadores Intensivistas de uma Grande Cidade da Bahia”. Foi realizado com a aplicação de questionário validado, autoaplicável e não identificado com 65 enfermeiros de nove UTI de sete hospitais públicos e privados de uma grande cidade do interior da Bahia, Brasil.

Com base no referido estudo, as condições laborais dos enfermeiros intensivistas — elevada carga horária de trabalho, duplo vínculo empregatício, atuação no período noturno — e características pessoais como idade igual ou inferior a 34 anos e uso de bebida alcoólica, tiveram uma associação positiva com o DPM. Além desses fatores, o local de trabalho também influenciou na presença do distúrbio, sendo maior em enfermeiros que atuavam em UTI pediátrica e neonatal quando comparados com os que trabalhavam em UTI adulto.

Conhecer os fatores associados a este agravo é essencial para a promoção de ações no sentido de evitá-lo, visto que delineia os grupos mais suscetíveis para os quais ações preventivas podem ser priorizadas. Considerando que as UTI representam ambientes exaustivos e tensos do hospital e que é privativo dos enfermeiros a prestação de assistência direta aos pacientes, estes profissionais, em decorrência da convivência diária com o sofrimento dos clientes e familiares, encontram-se mais expostos ao desgaste físico e emocional e consequentemente a distúrbios psíquicos (ABREU; GONÇALVES; SIMÕES, 2014; ROSADO; RUSSO; MAIA, 2015).

O aumento dos agravos relacionados ao trabalho, entre os quais os DPM, denota um problema de saúde pública e apresentam impactos econômicos relevantes em função das demandas geradas aos serviços de saúde e do absenteísmo no trabalho (BARBOSA et al., 2012). Diante o exposto, necessária se faz a promoção de espaços para reflexão e discussão sobre melhores condições laborais nesse cenário, com fins na redução do adoecimento mental de enfermeiros e outros profissionais de saúde.

Referências

ABREU, Renata Maria Dias de; GONÇALVES, Rejane Maria Dias de Abreu; SIMÕES, Ana Lúcia de Assis. Motivos atribuídos por profissionais de uma Unidade de Terapia Intensiva para ausência ao trabalho. Rev. bras. enferm., v. 67, n. 3, p. 386-393, 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672014000300386&lng=en&nrm=iso

BARBOSA, Gabriella Bené et al. Trabalho e saúde mental dos profissionais da Estratégia Saúde da Família em um município do Estado da Bahia, Brasil. Rev. bras. saúde ocup., v. 37, n. 126, p. 306-315, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0303-76572012000200012&lng=en&nrm=iso

ROSADO, Iana Vasconcelos Moreira; RUSSO, Gláucia Helena Araújo; MAIA, Eulália Maria Chaves. Produzir saúde suscita adoecimento? As contradições do trabalho em hospitais públicos de urgência e emergência. Ciênc. saúde coletiva, v. 20, n. 10, p. 3021-3032, 2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232015001003021&lng=en&nrm=iso

Para ler os artigos, acesse

NASCIMENTO, Deise dos Santos Silva et al. Prevalência de distúrbio psíquico menor e fatores associados em enfermeiros intensivistas. Rev. baiana enferm., v. 33, e28091, 2019. Disponível em: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2178-86502019000100311&lng=pt&nrm=iso

Link externo

Revista Baiana de Enfermagem: https://portalseer.ufba.br/index.php/enfermagem

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SOBRINHO, C. L. N. and NASCIMENTO, D. dos S. S. Distúrbio psíquico menor em enfermeiros intensivistas: quais os principais fatores associados? [online]. BlogRev@Enf, 2020 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2020/03/20/disturbio-psiquico-menor-em-enfermeiros-intensivistas-quais-os-principais-fatores-associados/

 

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