Universitários com risco de suicídio! Qual o tamanho do problema?

Cíntia Nasi, Editora associada da Revista Gaúcha de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: nasi.cintia@gmail.com

Marcio Wagner Camatta, Professor, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: mcamatta@gmail.com

Maria de Lourdes Custódio Duarte, Professora adjunta, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: malulcd@yahoo.com.br

O artigo “Ideação suicida em universitários da área da saúde: prevalência e fatores associados”, publicado pela Revista Gaúcha de Enfermagem (vol. 40), investigou a prevalência de ideação suicida em universitários da área da saúde de uma instituição pública do Piauí, Brasil. O estudo foi realizado por pesquisadores docentes e pós-graduandos da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), por meio de uma abordagem transversal. Identificou-se uma prevalência de ideação suicida entre universitários de 22% e os fatores associados foram o uso de álcool, tabaco e outras drogas, além de ser vítima de bullying, ter histórico de tentativa de suicídio e não frequentar o curso que deseja. O suicídio é um fenômeno humano multifacetado que depende da interação biológica, genética, psicológica, sociocultural e econômica. Nas últimas décadas, têm-se aumentado a tendência do número de casos entre os jovens (CALIXTO FILHO; ZERBINI, 2016), sobretudo devido às causas sociais do que de doenças biológicas.

Os resultados do estudo realizado no Piauí mostraram que o ingresso no ensino superior em um curso que não necessariamente era o desejado pelo universitário ocorre por imposições sociais ou por cobranças familiares. Além disso, eles vivenciam no processo de formação em saúde estímulos emocionais intensos (cuidar das pessoas, presenciar fenômeno da morte, exigências de alto rendimento, competitividade, etc.). Essas situações contribuem para o aparecimento de dificuldades interpessoais e o surgimento de sentimentos de não pertencimento, de frustração, angústia, tristeza, incapacidade, ansiedade, os quais podem desencadear ideação suicida nos jovens.

As maiores médias de ideação suicida apareceram nos cursos de psicologia e de medicina, trazendo preocupação sobre os contextos de escolha do curso, as mudanças ocasionadas na vida dos jovens com o ingresso na universidade e as pressões do ambiente acadêmico. Esse preocupante cenário é observado no mundo como um todo, com dados alarmantes que evidenciam a ocorrência de mais de 800 mil suicídios anualmente (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018). A pesquisa demonstra a necessidade de alertar as instituições de ensino para esse grave problema de saúde pública. Conhecer a prevalência da ideação suicida e dos fatores associados entre os universitários da área da saúde pode ser uma estratégia importante de identificação do problema nos espaços do ensino superior no Brasil, subsidiando a tomada de decisão de gestores para a prevenção e promoção da saúde mental dos estudantes.

Investigações dessa natureza são importantes, sobretudo, no contexto atual da pandemia da COVID-19, devido a imposição de múltiplos estressores, como medo, ansiedade, isolamento social, substituição de ensino presencial por modalidades remota, dificuldades de acesso a equipamentos de tecnologia de informação e conexão à internet, as incertezas quanto à qualidade do processo de formação profissional, dentre outras. Nesse sentido, torna-se necessário conhecer essa realidade nas diferentes instituições de ensino no país para dimensionar o tamanho do problema, estabelecendo políticas e estratégias de intervenção psicossocial para acolher esses jovens durante a sua vida acadêmica.

Referências

CALIXTO FILHO, M. and ZERBINI, T. Epidemiologia do suicídio no Brasil entre os anos de 2000 e 2010. Saúde Ética Justiça [online]. 2016, vol. 21, no. 2, pp. 45-51. e-ISSN: 2317-2770 [viewed 17 September 2020]. DOI: 10.11606/issn.2317-2770.v21i2p45-51. Available: http://www.revistas.usp.br/sej/article/view/134006

WORLD HEALTH ORGANIZATION (CH). Suicide. Geneva: WHO, c2018-2019 [viewed 17 September 2020]. Available from: https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/suicide

Para ler o artigo, acesse

VELOSO, L. U. P., et al. Ideação suicida em universitários da área da saúde: prevalência e fatores associados. Rev. Gaúcha Enferm. [online]. 2019, vol. 40, e20180144. ISSN: 1983-1447 [viewed 17 September 2020].  DOI: 10.1590/1983-1447.2019.20180144. Available from: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472019000100437&lng=pt&nrm=iso

Links externos

www.scielo.br/rgenf

https://seer.ufrgs.br/RevistaGauchadeEnfermagem

https://www.facebook.com/rgenf

https://www.cvv.org.br/

https://saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

NASI, C.; CAMATTA, M. W. and DUARTE, M. L. C. Universitários com risco de suicídio! Qual o tamanho do problema? [online]. BlogRev@Enf, 2020 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2020/10/30/universitarios-com-risco-de-suicidio-qual-o-tamanho-do-problema/

 

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