Entenda como pessoas que cuidam de sobreviventes de acidente vascular encefálico podem pensar em suicídio

Ítalo Rodolfo Silva, Editor de Marketing Digital Rev Rene, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: italoufrj@gmail.com

Ana Fátima Carvalho Fernandes, Editora-chefe da Rev Rene, Fortaleza, CE, Brasil. E-mail: afcana@ufc.br

Imagem: Licenciado por Pixabay.

Pesquisadoras da Universidade Federal da Paraíba, conduziram o estudo “Fatores associados à ideação suicida em cuidadores de sobreviventes de acidente vascular encefálico”, publicado na Rev Rene (vol. 21), o qual objetivou identificar os fatores associados à presença de ideação suicida em cuidadores de sobreviventes de acidente vascular encefálico (AVE). Os resultados mostraram que 76,8% desses cuidadores tiveram níveis normais de depressão, ansiedade (76,2%) e estresse (79,5%). Contudo, 29,1% apresentou pensamentos de ideação suicida. Desses, 23,2% relataram ter esses pensamentos entre uma ou duas vezes na semana.

A pesquisa foi realizada com cuidadores informais, isto é, aqueles cujo cuidado é realizado, geralmente, por um familiar próximo, sem apresentar, com isso, alguma capacitação ou formação específica para atuação no cuidado. Eles tinham idade igual ou superior a 18 anos, com tempo de experiência nesses cuidados igual ou superior a seis meses.

No universo de 151 cuidadores, foi identificado, também, que os principais cuidados prestados variavam entre: medicação, higiene corporal, locomoção, acompanhamento aos retornos para as consultas, cuidados com a pele e eliminações. Entre as sequelas dos sobreviventes de AVE estavam aquelas relacionadas às alterações motoras, fraqueza muscular e disfagia. Esses resultados devem ser refletidos a partir de outra constatação da pesquisa, a de que mais da metade desses cuidadores, segundo seus relatos, prestavam seus cuidados diariamente, por 19 horas ou mais a essas pessoas.  Além disso, parte deles mantinham essa rotina por um período de três a cinco anos.

É importante ressaltar que a correlação entre Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse – 21 (EADS-21), utilizada no estudo, e os pensamentos de ideação suicida apresentaram significância estatística, sendo observado que à medida que os níveis de ansiedade, depressão e estresse aumentaram, os pensamentos de ideação suicida se elevaram de maneira proporcional.

A investigação foi realizada no município de João Pessoa, Paraíba, Brasil, e os dados foram coletados entre setembro e dezembro de 2017. Nesse estudo transversal, as pesquisadoras utilizaram instrumento para obtenção de dados sociodemográficos e aspectos relacionados ao cuidado prestado, empregaram a Escala EADS-21 e questionário para avaliação da presença de pensamentos de ideação suicida. Os dados da pesquisa são fundamentais para o progresso do conhecimento relacionado às necessidades de estratégias que permitam o planejamento e execução de ações, na assistência à saúde e gerenciamento do cuidado, em uma perspectiva ampliada aos pacientes sobreviventes de AVE, mas, sobretudo, aos seus cuidadores informais. Esses últimos devem ser pensados e valorizados como elementos de uma matriz cuidadora permanente – a família –, que necessita de saúde para melhor cuidar dos seus entes (PESANTES et al., 2017).

De toda forma, é necessário pensar os dados dessa pesquisa a partir da configuração epidemiológica das doenças crônicas não transmissíveis, que constituem as principais causas de adoecimento e mortalidade no mundo, na qual o AVE recebe destaque por ser uma das principais causas, tanto de morte como de incapacidade (ZHANG et al., 2017). Portanto, para que seja possível avançar em meio aos desafios relacionados às doenças crônicas não transmissíveis, especialmente no âmbito das cerebrovasculares em que o AVE está inserido, é fundamental conhecer as implicações que a sobrecarga de cuidados poderá trazer aos cuidadores informais desses pacientes.

Referências

PESANTES, M.A., et al. An exploration into caring for a stroke-survivor in Lima, Peru: emotional impact, stress factors, coping mechanisms and unmet needs of informal caregivers. eNeurologicalSci [online]. 2017, vol. 6, pp. 33-50. ISSN: 2405-6502 [viewed 23 April 2020]. DOI: 10.1016/j.ensci.2016.11.004. Avaliable from: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2405650216300363

ZHANG, H. and LEE, D.T. Meaning in stroke family caregiving: a literature review. Geriatr Nurs [online]. 2017, vol. 38, no. 1, pp. 48-56. ISSN: 0197-4572 [viewed 23 April 2020]. DOI: 10.1016/j.gerinurse.2016.07.005. Avaliable from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0197457216301458

Para ler o artigo, acesse

COSTA, T.F.da, et al. Fatores associados à ideação suicida em cuidadores de sobreviventes de acidente vascular encefálico. Rev Rene [online]. 2020, vol. 21, e42171.  ISSN: 2175-6783 [viewed 23 April 2020].  DOI: 10.15253/2175-6783.20202142171. Avaliable from: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-38522020000100304&lng=pt&nrm=iso

Link externo

Link Rev Rene: http://www.periodicos.ufc.br/rene

Link Revenf: http://www.revenf.bvs.br/

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

SILVA, Í. R. and FERNANDES, A. F. C. Entenda como pessoas que cuidam de sobreviventes de acidente vascular encefálico podem pensar em suicídio [online]. BlogRev@Enf, 2020 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2020/05/08/entenda-como-pessoas-que-cuidam-de-sobreviventes-de-acidente-vascular-encefalico-podem-pensar-em-suicidio/

 

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