Como prevenir paradas cardiorrespiratórias (PCR) que podem levar a sequelas irreversíveis e até à morte?

Andrea Bernardes; Lucila Castanheira Nascimento, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, Brasil. E-mails: andreab@eerp.usp.br; lucila@eerp.usp.br

Artigos publicados na Revista Latino-Americana de Enfermagem (v. 27), contribuem para ampliar o conhecimento na identificação dos sinais de alerta pré-PCR, que são comuns e podem se manifestar por alterações dos sinais vitais e ocorrência de sinais e sintomas, possibilitando ao profissional de saúde a identificação precoce de alterações que precedem o colapso cardiocirculatório. O envelhecimento da população, do excesso de estresse, das doenças cardíacas, do aumento do número de acidentes e da violência, tem ameaçado a vida das pessoas e ampliado a frequência de utilização dos serviços de urgência e emergência.

O primeiro artigo, “Identificação dos sinais de alerta para a prevenção da parada cardiorrespiratória intra-hospitalar”, foi desenvolvido no Serviço de Emergência do Hospital São Paulo. É um estudo retrospectivo, analítico e quantitativo, que incluiu 218 prontuários de pacientes que sofreram parada cardiorrespiratória intra-hospitalar e identificados sinais de alerta e alterações nos sinais vitais. Para variáveis contínuas, calculou-se média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo; para as categóricas, frequência e percentual. Comparou-se a idade e ocorrência de parada cardiorrespiratória com ocorrência de sinais de alerta pelo Teste Qui-Quadrado e Teste não paramétrico de Mann Whitney (p-valor<0,05). Seus resultados mostram que 62,1% dos pacientes apresentaram sinais e sintomas de choque, 44,9% neurológicos, 40,4% mal-estar, 15,2% sugestivos de síndrome coronariana aguda e 25,9% confusão mental. Na última mensuração dos sinais vitais antes da parada cardiorrespiratória, a maioria apresentou frequência cardíaca alterada, anormal (32,6%) e severamente anormal (23,9%), frequência respiratória anormal (37,1%) e severamente anormal (27%). Demonstrou tempo maior de início da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) quando comparado a outros estudos (NOLAN et al., 2014; TERMAN et al., 2015), porém o tempo médio entre o início da RCP e a administração da primeira dose de epinefrina foi inferior ao observado em outro estudo, fato que contribui com a sobrevida do paciente (DONNINO et al., 2014). Importante destacar que a grande maioria dos pacientes que sofreu (PCR) nesse estudo apresentou alteração do nível de consciência. A duração total da RCP foi, em média, 16,1 minutos e teve, como desfecho, que 48,6% retornaram à circulação espontânea. Nesse estudo, identificou-se como sinais de alerta: sinais de choque, neurológicos, mal-estar e a síndrome coronariana aguda. As alterações nos sinais vitais mais prevalentes foram: frequência cardíaca, frequência respiratória e saturação de O2. Pacientes com pressão arterial sistólica severamente anormal não receberam alga e aqueles com frequência respiratória anormal não sobreviveram em seis meses após a PCR. Os resultados são inovadores por correlacionarem os sinais de alerta da PCR e as alterações nos sinais vitais à ocorrência desse evento.

Os resultados da segunda pesquisa, “Construção e validação de vídeo educativo para surdos acerca da ressuscitação cardiopulmonar”, contribui com o desenvolvimento de tecnologia inclusiva para educação em saúde de surdos sobre a ressuscitação cardiopulmonar. Esse estudo metodológico, produziu um vídeo de 7 minutos e 30 segundos, com as etapas que devem ser realizadas pelo leigo para socorrer a vítima de PCR, as quais foram apresentadas com animação e narração na língua brasileira de sinais. Seguiram-se as recomendações para construção de materiais audiovisuais. A validação de conteúdo foi realizada por 22 juízes enfermeiros e o vídeo também foi avaliado sobre sua clareza e compreensão por 16 alunos surdos de um município da região nordeste brasileira. Todos os itens obtiveram concordância dos enfermeiros e dos alunos surdos igual ou superior a 80%. O produto desta investigação viabiliza o acesso de alunos surdos ao conteúdo referente à RCP e consiste em recurso tecnológico viável para ser utilizado pela enfermagem e demais profissionais na educação em saúde.

Os estudos mencionados reúnem conhecimento atual e aplicável no cotidiano da prática profissional do enfermeiro, bem como amplia as oportunidades para educação em saúde.

Referências

DONNINO, M. W.  et al. Time to administration of epinephrine and outcome after in-hospital cardiac arrest with non-shockable rhythms: retrospective analysis of large in-hospital data registry. BMJ., v. 348, g3028, 2014. Avaliable from: https://www.bmj.com/content/348/bmj.g3028

NOLAN, J. P. et al. Incidence and outcome of in-hospital cardiac arrest in the United Kingdom National Cardiac Arrest Audit. Resuscitation., v. 85, n. 8, p. 987-992, 2014. Avaliable from: https://www.resuscitationjournal.com/article/S0300-9572(14)00469-9/fulltext

TERMAN, S. W. et al. The influence of age and chronic medical conditions on neurological outcomes in out of hospital cardiac arrest. Resuscitation, v. 89, p. 169-176, 2015. Avaliable from: https://www.resuscitationjournal.com/article/S0300-9572(15)00023-4/fulltext

Para ler os artigos, acesse

GALINDO-NETO, Nelson Miguel et al. Construção e validação de vídeo educativo para surdos acerca da ressuscitação cardiopulmonar. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v. 27, e3130, 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692019000100321&lng=pt&nrm=iso

SOUZA, Beatriz Tessorolo et al. Identificação dos sinais de alerta para a prevenção da parada cardiorrespiratória intra-hospitalar. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v. 27, e3072, 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692019000100308&lng=pt&nrm=iso

Link externo

Revista Latino-Americana de Enfermagem – http://rlae.eerp.usp.br

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BERNARDES, A. and NASCIMENTO, L. C. Como prevenir paradas cardiorrespiratórias (PCR) que podem levar a sequelas irreversíveis e até à morte? [online]. BlogRev@Enf, 2019 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2019/05/09/como-prevenir-paradas-cardiorrespiratorias-pcr-que-pode-levar-a-sequelas-irreversiveis-e-ate-a-morte/

 

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