Como se tornar editor de periódico? Existem lacunas na formação stricto sensu?

Andreivna Kharenine Serbim, Caren de Oliveira Riboldi, Daniela Silva dos Santos Schneider; Doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: andreivna.serbim@ufal.arapiraca.br; criboldi@hcpa.edu.br; danielassantos@hcpa.edu.br

Wiliam Wegner, Editor-chefe substituto da Revista Gaúcha de Enfermagem, Professor do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: wiliam.wegner@ufrgs.br

O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul oportunizou uma atividade ímpar aos discentes do Curso de Doutorado, no momento em que ofertou a disciplina “Gestão e editoração de periódicos científicos”, na qual é proposto ao aluno conhecer e exercitar de forma participativa o processo de análise crítica e avaliação ad hoc de manuscritos. Existe uma série de aspectos que desafiam o trabalho dos editores científicos, como as características dos estudos, as questões relativas à revisão por pares, os aspectos formais da editoração, além do comportamento ético de autores e editores, que são particularidades da publicação científica (BARATA, 2019). A profissionalização de editores é de responsabilidade dos cursos de doutorado, para evitar que o aprendizado dos discentes ocorra por erro e acerto, considerando ser esta uma atividade de cunho intelectual e de responsabilidade com a ciência (STEPHENSON et al., 2009).

A produção de artigos científicos é uma prática comum na vida acadêmica, com um alto grau de exigência para transformar pesquisas em produtos para o consumo da comunidade científica. No entanto, algumas reflexões podem ser pensadas nesse contexto em que se almeja o melhor Qualis e/ou Fator de Impacto elevado dos periódicos nacionais. Como essas produções estão sendo elaboradas? Qual a qualidade dos manuscritos encaminhados aos periódicos? Qual a efetiva colaboração teórica do discente em conjunto com seu orientador e parceiros de grupo de pesquisa? Diante desses questionamentos, percebe-se que há uma lacuna na formação stricto sensu, principalmente no que tange o conhecimento acerca do funcionamento de um periódico científico, o que engloba também o processo de pré-análise, avaliação por pares e aprovação final pelo editor-chefe. Esta organização transpõe a simples tarefa de encaminhar uma produção científica, pois amplia os bastidores de um grupo que contribui para manter viva o que se pode denominar de ciência e a excelência da disseminação do saber-fazer.

A partir da experiência ofertada pela Universidade durante a formação stricto sensu, percebe-se que há o aprimoramento e expansão do conhecimento da enfermagem como ciência, do desenvolvimento do pensamento crítico acerca das produções e o incremento de expertises nesta área, a qual requer atualização constante, além da realização do trabalho coletivo, algo fundamental na carreira de um pesquisador. Percebe-se que as funções de revisor e autor podem ser intercambiáveis constantemente, uma vez que, no processo de revisão, há as contribuições de melhorias e recomendações para que o trabalho possa ser aceito no periódico, ao mesmo tempo que ocorre, do ponto de vista do conhecimento científico, a troca de saberes entre as diferentes pesquisas da área da enfermagem. Dessa forma, iniciativas voltadas para a formação de editores são necessárias ao mundo acadêmico, pois possibilitam aprimorar as habilidades discentes, as quais estão diretamente relacionadas ao âmbito da pesquisa e publicação, assim como na condição de futuros orientadores, pareceristas e editores, na busca incansável pela valorização e disseminação do conhecimento.

Por isso, é oportuno, debater sobre os cenários da divulgação da produção acadêmica como, por exemplo, o movimento da Ciência Aberta e a importância de transformar as realidades da formação profissional e científica. Reflete-se que, quanto mais investimentos na formação stricto sensu referente ao processo de análise crítica e avaliação por pares dos manuscritos, mais pesquisadores poderão estar aptos para a execução dessa complexa atividade científica que é a editoração, implementando elevados padrões de qualidade no processo científico.

Referências

BARATA, Rita Barradas. Desafios da editoração de revistas científicas brasileiras da área da saúde. Ciênc. saúde coletiva, v. 24, n. 3, p. 929-939, 2019. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232019000300929&lng=en&nrm=iso

STEPHENSON, A. et al. For your review: insights from seasoned reviewers and editors on the peer-review process. The Journal of Health Administration Education, v. 36, n. 3, p. 217-232, 2019. Available from: https://www.ingentaconnect.com/contentone/aupha/jhae/2019/00000036/00000002/art00006

Links externos

Revista Gaúcha de Enfermagem – RGENF: www.scielo.br/rgenf

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SERBIM, A. K. et al Como se tornar editor de periódico? Existem lacunas na formação stricto sensu? [online]. BlogRev@Enf, 2019 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2019/12/06/como-se-tornar-editor-de-periodico-existem-lacunas-na-formacao-stricto-sensu/

 

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