Doenças crônicas entre indígenas: prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes mellitus

Laura Maria Vidal Nogueira, Docente na Universidade do Estado do Pará, Líder do Grupo de Estudos de Agravos em Populações Tradicionais da Amazônia – GEAPA, Belém, PA, Brasil.

Aldeia Sai Cinza Arquivo: Laura Vidal

O estudo “Prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes mellitus entre indígenas” foi publicado no periódico Cogitare Enfermagem (vol. 26), buscou analisar a prevalência de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes mellitus (DM) nos povos indígenas aldeados do estado do Pará, e medir a associação com a etnia. A HAS e DM vêm sendo associadas às mudanças culturais e ao consumo de alimentos industrializados, ocasionando aceleração na prevalência das doenças, complicações, comorbidades e até mesmo óbito, sobretudo nas etnias que até pouco tempo não apresentavam registro de casos, consequência das dificuldades na agricultura, escassez alimentar e sedentarismo (BRESAN; BASTOS; LEITE, 2015; FREITAS, SOUZA; LIMA, 2016; SOUZA FILHO et al., 2015).

Foi realizado um estudo epidemiológico, com dados de HAS e DM produzidos nas aldeias dos quatro Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), localizados no estado do Pará (Altamira, Guamá Tocantins, Kaiapó do Pará e Rio Tapajós), envolvendo 26 etnias que correspondem a 66,66% do total que habita território paraense, segundo o Instituto Socioambiental. A origem dos dados foi o Sistema de Informações da Atenção à Saúde Indígena, que congrega a produção relativa à saúde da população indígena, e foi disponibilizado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena. Foram estudados 624 casos de HAS e 108 casos de DM correspondentes à totalidade contida no banco, não sendo feita nenhuma exclusão. Dentre as etnias estudadas, 15 apresentaram casos de HAS e DM simultaneamente, 10 somente HAS e uma exibiu somente DM. Foi calculada a prevalência de HAS e DM por DSEI, por ano e por etnia e utilizado o Qui-quadrado de Pearson, p≤0,05 para medir associações.

O estudo foi desenvolvido no âmbito do Grupo de Estudos de Agravos em Populações Tradicionais da Amazônia, da Universidade do Estado do Pará. Os resultados evidenciaram maiores prevalências nas etnias Munduruku, Kaiapó e Tembé, com destaque para o povo Munduruku com 35%; n=219 de HAS e 23,1%; n=25 de DM, sem associação estatística entre as doenças e os grupos étnicos (χ²: 73,09757; p=1,32). Tais achados, indicam a necessidade de um plano para prevenção e enfrentamento de HAS e DM entre indígenas. Em que pese as ações de saúde nas aldeias serem realizadas pela Equipe Multiprofissional de Saúde Indígena (EMSI), é um desafio para a enfermagem por ser protagonista nos atendimentos, quer nas aldeias quer nas ações itinerantes.

Os resultados são inovadores por identificar heterogeneidade na ocorrência das doenças nos territórios indígenas, possivelmente decorrentes do padrão alimentar e dos hábitos de vida que vem sendo modificados ao longo das décadas, além de contribuir para a valorização cultural na assistência à saúde de povos indígenas, sobretudo pela enfermagem.

Referências

BRESAN, D.; BASTOS, J. L. and LEITE, M. S. Epidemiology of high blood pressure among the Kaingang people on the Xapecó Indigenous Land in Santa Catarina State, Brazil, 2013. Cadernos de Saúde Pública [online]. 2015, vol. 31, no. 2, pp. 331-344. ISSN: 1678-4464 [viewed 28 June 2021]. https://doi.org/10.1590/0102-311X00058714. Available from: https://www.scielo.br/j/csp/a/RzBqQVnWjNRNKtbnnc3CdHH/?lang=en#.

FREITAS, G. A. de, SOUZA, M. C. C. de and LIMA, R. da Costa. Prevalência de diabetes mellitus e fatores associados em mulheres indígenas do Município de Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. Cadernos de Saúde Pública [online]. 2016, vol. 32, no. 8, e00023915. ISSN: 1678-4464 [viewed 28 June 2021]. https://doi.org/10.1590/0102-311X00023915. Available from: https://www.scielo.br/j/csp/a/QbjWdDVxmRQY6JmnrbJnDXy/?lang=pt.

SOUZA FILHO, Z. A. de, et al. Hypertension prevalence among indigenous populations in Brazil: a systematic review with meta-analysis. Revista da Escola de Enfermagem da USP [online]. 2015, vol. 49, no. 6, pp. 1012-1022. ISSN: 1980-220X [viewed 28 June 2021]. https://doi.org/10.1590/S0080-623420150000600019. Available from: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/SGyKVVqMPBsFJKyF4cmPkCC/?lang=en.

Para ler o artigo, acesse

CORRÊA, P. K .V., et al.  Prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus entre Indígenas. Cogitare Enfermagem [online]. 2021, vol. 26, e72820. e-ISSN: 2176-9133 [viewed 28 June 2021]. http://dx.doi.org/10.5380/ce.v26i0.72820. Available from: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/72820

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

NOGUEIRA, L, M. V. Doenças crônicas entre indígenas: prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes mellitus [online]. BlogRev@Enf, 2021 [viewed ]. Available from: https://blog.revenf.org/2021/08/13/doencas-cronicas-entre-indigenas-prevalencia-da-hipertensao-arterial-sistemica-e-diabetes-mellitus/

 

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